terça-feira, 4 de abril de 2023

Bitch - curta temporada na Sala Preta - Centro de Artes da UFPEL




BITCH é um solo criado por Alexandra Dias que parte da exploração da antropofagia no corpo. 

O solo é dançado por Maria Falkembach, evidenciando uma das características deste trabalho que é a possibilidade de transmissão e transformação. 






BITCH traz à cena um corpo que é aberto à incorporação do outro por meio da animação de todos os seus buracos como espaços de entrada e saída. BITCH é uma entidade mulher-canina, uma manobra antropofágica que busca reposicionar a palavra “cadela” como um termo que visa atingir mulheres de forma depreciativa, aproximando da antropofagia a estratégia de inversão e transformação de práticas autoritárias proposta pela teoria queer. 



A atriz-bailarina Maria Falkembach adiciona ao trabalho ao devorar a performance de uma porta-bandeira, questionando qual a bandeira que carregamos como mulheres na contemporaneidade. Hoje, carregar a bandeira do Brasil, e fazê-la passar por nossos buracos, é um modo de tornar essa bandeira parte do corpo. Bandeira essa que foi aviltada nos últimos anos, assim como nosso corpo de mulher, artista, professora.


Fotos: Josiane Franken
Temporada de 24/04 a 01/05 de 2023

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

BITCH - Pré-estreia, dia 21 de dezembro de 2022

    Concepção e direção de Alexandra Dias, com Maria Falkembach. 







Fotos: Jéssica Porciuncula

AXÊRO

Axêro estreou no Cine UFPEL no dia 24 de junho de 2022.

Curta dirigido por Maria Falkembach e protagonizado por Gessi Könzgen e Jão Cruz revê a história da cidade de Pelotas, sob a perspectiva de personagens negras e da cultura milenar africana

Trailer do filme




Fotos de Fabiano Gonçalves

Entrevista sobre o Axêro no Viração - Adufpel

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Diadorim - coreografia para música de Leandro Maia

Criei a coreografia Diadorim em 2016, quando estávamos na Inglaterra. Apresentamos no Transnational Creatives, uma mostra de arte na Bath Spa University:

Transnational Creatives mini festival at Bath Spa University

Três anos depois, no Brasil, a coreografia compôs o "Paisagens - Filme de Leandro Maia", disponível no Youtube:

Paisagens 

Já iniciamos rascunho de escrita sobre essa transcriação. Ainda no rascunho...








segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Shirley & Deisê

Em 2020, vivendo em distanciamento social, Marina de Oliveira, Paulo Gaiger e eu, embarcamos na criação de uma websérie, pra dar vazão a um trabalho que havíamos iniciado em 2019. Convidamos colegas e alunas para entrar no projeto e realizamos 19 episódios divididos em 6 temporadas. 




Com classificação indicativa para 14 anos, fica a dica como material pedagógico divertido para o ensino médio.

Segue aqui o link do canal da série:

Canal da websérie Shirley & Deisê 

Uma websérie produzida por professores e estudantes do Centro de Artes da UFPel, a partir

da associação de projetos de pesquisa e extensão dos cursos de teatro, dança, cinema e música.


A série é produzida à distância, com ensaios feitos pelas plataformas de reuniões e encontros 

e cada capítulo é gravado em celulares. 

Lançamento de um novo episódio toda terça-feira às 21h pelo canal Shirley & Deisê no youtube.


CRÉDITOS SHIRLEY & DEISÊ

Com: Maria Falkembach e Marina de Oliveira

Direção: Paulo Gaiger Montagem

Finalização: Cintia Langie e Ana Paula Ambrosano Ribeiro Roteiro

Dramaturgia: Paulo, Maria e Marina

Animação e Identidade Visual: Ana Paula Ambrosano Ribeiro/ Kevin Proença/ Victor de Souza

Comunicação/Divulgação: “o grupo”

Música tema: Leandro Maia

Referência de desenho das letras: Gonçalo Maia


sexta-feira, 13 de abril de 2018

LAMA - uma performance

Concepção e atuação de Maria Falkembach e Daniel Furtado

Como falar sobre a dificuldade ou a incapacidade do diálogo, o preconceito e a discriminação das pessoas por questões de gênero, cor, orientações sexuais, étnicas e outras, as várias formas de violência que sofremos no nosso dia-a-dia? LAMA – Uma performance traz para a cena uma discussão poética e política que é ao mesmo tempo o retrato do nosso tempo e do nosso país. Maria Falkembach e Daniel Furtado transitam entre textos, músicas e movimentos para realizar um espetáculo que vai do épico e do narrativo ao simbólico.

Atuando sem atravessamento de personagens, os atores/performers constroem diferentes cenas, onde é colocada a urgência por mudança de atitudes, a necessidade de se refletir sobre nossos comportamentos e ações cotidianas. A LAMA do título se refere tanto à lama no seu sentido concreto, aquela decorrente de uma barragem que há dois anos se rompeu em Mariana, Minas Gerais, e que devastou toda a bacia do Rio Doce, quanto aquela que, em sentido figurado, nos inunda e atropela cotidianamente. Para os criadores da Performance, “infelizmente a violação dos nossos direitos mais básicos, a violência daquele que não nos escuta, a intolerância, a LAMA que nos atropela, tem ocorrido com uma frequência cada vez mais assustadora no Brasil de hoje”.

Fotos: Josiane Franklin Corrêa.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Três tecnologias de subjetivação para pensar o ensino de dança na escola

Autores:
Maria Falkembach e Gilberto Icle

Resumo

Este texto pretende propor o ensino de dança na escola de Educação Básica como tecnologia que envolve três possibilidades: disciplina; biopolítica e técnica de si. São apresentadas as relações entre ensino de dança e as formas disciplinares de conduta de professoras e professores, e de alunas e alunos. Problematiza-se a biopolítica como tecnologia que trama o movimento e o movimentar-se à produção da vida, especialmente, por intermédio da mídia e de outras tecnologias. Discute-se a dança como tecnologia de si, como inquietude, mostrando a articulação entre movimento e modos de subjetivação. A reflexão aqui empreendida parte da produção filosófica de Michel Foucault, amalgamando-se aos estudos sobre o movimento de Rudolf Laban. Este texto enfatiza a relação entre a produção de movimento na Escola e três modos distintos de subjetivação, dando visibilidade à trama ambígua produzida pelo ensino da dança na Escola: subjetivar-se e assujeitar-se.

Palavras-chave

Dança; Escola; Movimento; Corpo; Michel Foucault; Rudolf Laban

clique aqui para acessar o link

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Uma longa lacuna




Uma longa lacuna - link para o website do Jornal

Entrevista completa para Leon Sanguiné - Diário Popular

Para a dança e o teatro, quais os maiores projuízos com a ausência de um teatro público? Quais os principais benefícios para uma cidade que tem um teatro público funcionando?


O caso é muito sério. A pergunta é difícil, porque parece separar a dança e o teatro de todo o contexto em que essas artes existem. Não consigo ver prejuízos específicos para a dança e o teatro, o prejuízo é para a nossa humanidade. Vou tentar explicar:

Já disse em algum momento, e digo porque sou parte de um coletivo que entende assim, posso repetir aqui: não existe dança ou teatro sem espaço cênico. O espaço é intrínseco e definidor de qualquer obra cênica. Tanto que estudar história das artes cênicas passa por estudar a história de seus espaços físicos.

Mas aqui a questão não é o que um espaço específico produz, mas o que a ausência do espaço produz. Entendo que a arte cênica é pública, porque é na relação entre artistas e público que ela existe. Isso não é jogo de palavra, isso é: é na relação, no espaço de contato entre ação cênica e a (re)ação do público que a poesia cênica acontece. Se espaço é definidor da obra, a produção de uma arte pública implica um espaço público. Voltando ao pensamento lógico, a ausência de espaço cênico público implica diretamente na ausência de arte cênica.

Esse parágrafo não mandei pra não tirar o foco da questão: A ausência do Theatro 7 de Abril: Se há ausência de teatro público, busca-se outros espaços para torna-los cênicos e públicos. Talvez a ausência de teatros públicos seja uma das condições de onde emerge a produção de obras cênicas nos ditos espaços alternativos. Isso poderia ser uma potência! O problema é quando a cidade, o poder público, não percebe essa potência e não dá suporte para a criação das infinitas possibilidades de produção de espaços cênicos públicos. Suporte quer dizer estrutura, equipamento, manutenção! Suporte quer dizer estabelecimento de espaços de criação. O problema é quando a ausência do Teatro Público significa a ausência de qualquer espaço cênico público. Isso produz ausência de criação. Isso também produz a ausência de circulação de obras.

Então, quando a ausência do Teatro Público significa a ausência de qualquer espaço cênico público, que é o caso de Pelotas, isso produz ausência de criação. Isso também produz a ausência de circulação de obras. Isso produz ausência de dança e teatro, isso produz ausência de artistas da dança e do teatro; isso produz ausência de técnicos das artes cênicas; isso produz ausência de produtores culturais; isso produz ausência de público. Isso produz a negação do acesso à arte, direito de todos. 

Este parágrafo seguinte é um desabafo, mas tão sério quanto todo o pensamento anterior: Ausência de teatro público produz ausência de pensamento cênico, de pensamento espacial e de conhecimento das possibilidades do corpo – do corpo em relação –, que contribuem intensamente com a construção de uma educação integral, “humanizante” e crítica. A ausência do teatro público contribui com o pensamento que entende que arte não é fundamental para a educação. Portanto, a ausência do Teatro Público produz burrice (burrice aqui no sentido do artigo “Parabéns, atingimos a burrice máxima”, da Eliane Brum; burrice no sentido de impossibilidade de se colocar em relação, de impossibilidade de escutar, de impossibilidade de diálogo, de permitir-se colocar-se em risco e ampliar seu mundo). E a burrice é irmã do fascismo.

Alguns exemplos pontuais, pessoais:
Nesses últimos anos, em Pelotas, diversas vezes fui contatada por grupos de teatro e dança com projetos de circulação, com interesse de apresentar o trabalho em Pelotas. Projetos financiados por editais públicos nacionais e do estado, que só dependiam de um teatro público que garantisse a infraestrutura básica necessária (caixa cênica, som, luz, plateia). Pelotas não assistiu esses espetáculos. Completa ausência.
Em 2012, o Tatá, grupo que coordeno em Pelotas, tinha verba para fazer apresentações em teatro, o objetivo era qualificar o trabalho do grupo, desenvolver desenho de luz e som e a experiência com a caixa cênica. Fizemos apresentação no Teatro São Pedro e no Teatro Renascença, em Porto Alegre. Não fizemos em Pelotas. Ausência. Poderíamos ter feito temporada em Pelotas, poderíamos ter contribuído com a formação de público em dança contemporânea... poderíamos. Ausência.

São realidades de fato muito distintas, mas que comparativo podes fazer entre circuito e equipamentos culturais em Pelotas e na Inglaterra atualmente?


Aqui na Inglaterra minha relação com os equipamentos culturais é apenas como público. Meu pouco tempo aqui e a minha prioridade – pesquisar e escrever minha tese sobre dança na escola – não me permitem fazer uma verdadeira análise sobre as condições dos equipamentos culturais e circuitos, mas posso falar de algumas percepções. E acredito que posso falar porque não vivo em Londres (porque aí não há comparação) vivo em Bath, uma cidade menor que Pelotas.

A primeira percepção é que há espaços diferentes para os diferentes circuitos (e há espaço): Há equipamentos culturais para o circuito comercial, para as companhias mantidas pelo Estado (Arts Council England), para artistas e companhias independentes, para os trabalhos universitários e para a arte amadora. Há equipamento e, portanto, há esses diferentes circuitos. Tenho sido público de todos esses circuitos e uma coisa que é bem evidente (a segunda constatação): o que garante a circulação profissional (seja estatal ou independente) é o dinheiro público; mesmo os espetáculos comerciais têm alguma verba pública. Nos créditos de todos os espetáculos que assisti está lá: “Supported using public funding by Arts Council England”.

Aqui em Bath o principal teatro é o Theatre Royal Bath, onde se apresentam as produções comerciais e consagradas. Na cidade existem duas universidades e as duas têm teatro, com programação durante todo o ano. Tenho assistido os trabalhos dos grupos independentes nos teatros dessas universidades. Os teatros das universidades não são grandes, mas são bem equipados. Percebo que o que garante a circulação dos “independentes” são os financiamentos de projetos de criação e circulação. O ingresso é barato e nem sempre a plateia (mesmo que pequena) está cheia – não é só no Brasil que o mais experimental e menos conhecido tem pouco público. Vi coisas lindas aqui, com pouquíssimo público. Com certeza não era o valor do ingresso que estava sustentando o trabalho daqueles artistas – ótimos artistas -, mas a verba pública.

Há uma cultura do trabalho voluntário, da caridade e de grupos comunitários aqui, que viabiliza o circuito amador. Existem espaços e eventos amadores, organizados pela comunidade. Existem festivais e eventos escolares, organizados por entidades de educação e formação. Toda escola tem um espaço teatral.

Sem dúvida, uma grande diferença entre a Inglaterra e o Brasil é o investimento público em arte