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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

RETRATO DA ATRIZ ENQUANTO CORPO: na criação de Molly Bloom

Vídeo-Documentário sobre o meu processo de criação na montagem do espetáculo Penélope Bloom. Foi construído com imagens de ensaio, de mostras de processo e de apresentações (de junho de 2007 à maio de 2008), tendo como fio condutor o meu caderno de anotações de ensaios.
O documentário propõe apresentar a construção de um modo de conhecimento específico no trabalho de uma atriz-dançarina. Por ser uma atriz que vive a experiência de problematizar a própria prática (que vive entre o espaço cênico e a academia), constato e aposto na contribuição deste conhecimento para a compreensão do mundo e do sujeito contemporâneo. A arte tem contribuído com o discurso científico, justamente por colocar-se onde a linguagem discursiva não é suficiente e nos limites entre os diferentes discursos das diferentes ciências. A arte (a dramaturgia do corpo, aqui de maneira específica) pode ser a ponte entre diferentes “verdades”.

Assim, o vídeo passa por conceitos tais como DRAMATURGIA DO CORPO, TRANSCRIAÇÃO e INTERTRANSCULTURALIDADE.
Mesmo antes de ser finalizado, O RETRATO DA ATRIZ ENQUANTO CORPO já foi apresentado em duas ocasiões: no VI Simpósio de Arte-Educação, no dia 24 de setembro, na UNICENTRO (Guarapuava, Paraná) e Semana Da Pedagogia na FACOS (Osório, RS) no dia 15 de outubro.
A recepção do público foi além de nossas expectativas. Isto aumentou a nossa vontade de buscar financiamento para finalizar, publicar e distribuir o vídeo.

Para introduzir o trabalho fizemos algumas imagens na rua, numa performance relâmpago, para apresentar o conceito de corpo como processo de trocas com o meio. As fotos aqui postadas, são deste dia.


FICHA TÉCNICA DO VÍDEO-DOCUMENTÁRIO

Produção: Maria & Cia e Catarse

Câmera: Júlia Rodrigues e Gustavo Türck

Roteiro e Edição: Maria Falkembach e Têmis Nicolaidis

Trilha sonora: Leandro Maia.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Contribuição do Cao

Oi, Maria,
Nos meus estudos internéticos sobre o clown, encontrei um texto da Denise Stoklos que é pura Dramaturgia do Corpo.
Abaixo, um pequeno extrato, selecionado e grifado por mim.

“O gesto do performer corresponde a que ênfase deseja imprimir para distanciar-se do convite primordial dos corpos que é descansar na inércia, cair ao solo, juntar-se com a terra, parar. Nenhum gesto significará nada em si mesmo. A leitura será sobre a atitude do ator em relação a suas decisões sobre onde colocar seu corpo fora da força gravitacional que exige o não-gesto, a não-ação.
Todos os temas que encontrem no corpo do ator o empenho necessário para realizar seu esforço serão interessantes pontos de partida e de chegada.A matéria espaço é seu instrumento. O corpo é sua borracha do espaço pintado a crayon. Ele antes, apaga o espaço vazio com seu corpo. Toma lugar apagando o escuro. Ilumina com a tomada de posição de seu corpo naquele espaço antes ocupado pelo vazio.A voz entra no silêncio, como um apagador do silêncio, não como enunciação. O ator não é ativo. O espaço e o silêncio são ativos, ele é passivo entrando em ação. Isso lhe custa. A imposição é do escuro, da força gravitacional, do silêncio.Quando se empurra o chão, se está exercendo uma ação optativa, diferente do convite: o convite é para ceder ao chamamento da gravidade que estava ali antes e existirá depois da existência do performer. Sua única identidade é o percurso que ele desenhará ao discernir-se do chamamento imantado da terra. Sua tensão com o próprio eixo da terra é o fundamento de sua expressão corporal e oral, uma vez que sua oralidade estará se realizando também quanto ao esforço muscular de seu diafragma e não quanto ao desenho das palavras escritas cuja vida em cena não existirá sem o pessoal empenho, a pessoal opção da qualidade aplicada: ritmo, intensidade, harmonia, continuidade, ruptura, ângulo, círculo. Quanto custa a vida original do perfomer, a organicidade é o que comporá seu poema recitativo, sua coreografia, não o que já está escrito ou desenhado de antemão. A atualidade é seu barro.”

O texto completo está em: http://www.clowns.com.br/site/escritos2.php?id=5

Saudações saudáveis a seu joelho.
Um beijo,
Cao

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Dramaturgia do Corpo e Reinvenção de Linguagem

FALKEMBACH, Maria F. Dramaturgia do corpo e reinvenção de linguagem: transcriação de retratos literários de Gertrude Stein na composição do corpo cênico. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Teatro - Mestrado). Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, 2005.

Resumo
O presente estudo elabora uma reflexão sobre a arte do ator-dançarino na composição da dramaturgia do corpo e aponta a transcriação intersemiótica como um meio de ampliação das possibilidades de configuração de linguagens cênicas. Entendendo a criação do ator-dançarino por vias do pensamento criativo sobre a materialidade do corpo numa perspectiva de reinvenção da linguagem, discute-se o conceito de dramaturgia como articulação estética na arquitetura viva do corpo cênico. Apresentam-se princípios da teoria do movimento de Rudolf Laban (fatores do movimento, esforço e arquitetura viva) como fundamentos para a articulação dramatúrgica e do estudo comparativo entre a dramaturgia do corpo e outras artes, tais como a literatura e a pintura. Em termos aplicativos, a pesquisa apresenta reflexões desenvolvidas sobre uma experiência prática de transcriação de retratos literários de Gertrude Stein, buscando analisar a apropriação dos procedimentos de composição literária na ampliação do conhecimento dos princípios específicos de configuração da dramaturgia do corpo.

Palavras-chave: Dramaturgia do corpo. Ator-dançarino. Transcriação. Gertrude Stein. Rudolf von Laban.

Abstract
The present study develops a reflection about the actor-dancer's art, that arises from the process of composing body dramaturgy and points to inter-semiotic transcreation as a way of widening the possibilities of scenic language configuration. Assuming the creation of the actor-dancer through the ways of the creative thinking on body's materiality in a perspective of language reinvention, it discusses the concept of dramaturgy as an esthetic articulation in the living architecture of the scenic body. The paper presents principles of Rudolf Laban's movement theory (motion factors, effort and living architecture) as the basis for the dramatic articulation and the comparative study among body dramaturgy and other artistic expressions - like literature and painting, for instance. In applicable terms, the research presents reflections developed after a practical experience of Gertrude Stein's literary portraits transcreation, attempting to analyze the appropriation of literary composing procedures in the widening of knowledge of the specific configuration principles of the body dramaturgy.

Keywords: Body dramaturg. Actor-dancer. Transcreation. Gertrude Stein. Rudolf von Laban.

PDF da dissertação