quinta-feira, 6 de novembro de 2008

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Posso Roubar seu Movimento? mais informações

Oficina Montagem, ministrada por Maria Falkembach, na qual os alunos participarão da construção e da realização de uma performance. Uma reflexão na trama do movimento.

Inscrições pelo fone 3284.2000

De 3 à 611 das 18h30 às 21h30
no SESC (av. Alberto Bins, 665)
Dia 7/11 às 15h na Esquina Democrática
Dia 09/11 às 17h no Parque Farroupilha


(atividade da MOSTRA SESC DIÁLOGOS DA DANÇA)

Maria é atriz, bailarina, professora, Mestre em Teatro pela UDESC. Foi professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS e atualmente é professora convidada do curso de Mestrado Profissional em Dança da Universidade Nacional da Costa Rica. Foi fundadora do grupo Depósito de Teatro, com o qual realizou 9 espetáculos entre dança e teatro. Desenvolve as pesquisas sobre dramaturgia do corpo, transcriação e sobre a intertransculturalidade na criação cênica.

Argumento da performance:
Nossas relações acontecem no espaço, entre a matéria. Uma trama de significados é construída no vazio e no silêncio. O movimento revela o invisível e essas relações. A vida, mais ínfima, sutil e frágil, é Movimento.
Atores e bailarinos improvisam, a partir de movimentos codificados e movimentos roubados do público. Os movimentos codificados são o resultado da reflexão do grupo durante a criação. Reflexão que constrói conhecimento e pensamento no e pelo corpo.
Ao mesmo tempo em que agem-dançam e expressam suas reflexões, compartilham este processo com o público.

Objetivos da Oficina Montagem:
- promover uma reflexão, através da linguagem performática, sobre os padrões de movimento contemporâneos (tanto na vida, quanto na arte);
- aproximar o público do processo de busca pela invenção da linguagem, e do processo de reflexão, da dança contemporânea;
- promover uma intensa experiência para bailarinos, provocando, no processo criativo, a ampliação do pensamento sobre dança, na relação com a sociedade.
Princípios de reflexão que orientam a performance:
- confronto entre movimentos codificados e movimentos ditos “naturais”;
- compreensão do outro a partir da compreensão do movimento;
- relação entre padrões de movimento, padrões de discurso e padrões de visão de mundo.
Princípios técnicos de criação:
- improvisação a partir da técnica de viewpoints;
- princípios de análise do movimento de Rudolf Laban;
- transcriação.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

RETRATO DA ATRIZ ENQUANTO CORPO: na criação de Molly Bloom

Vídeo-Documentário sobre o meu processo de criação na montagem do espetáculo Penélope Bloom. Foi construído com imagens de ensaio, de mostras de processo e de apresentações (de junho de 2007 à maio de 2008), tendo como fio condutor o meu caderno de anotações de ensaios.
O documentário propõe apresentar a construção de um modo de conhecimento específico no trabalho de uma atriz-dançarina. Por ser uma atriz que vive a experiência de problematizar a própria prática (que vive entre o espaço cênico e a academia), constato e aposto na contribuição deste conhecimento para a compreensão do mundo e do sujeito contemporâneo. A arte tem contribuído com o discurso científico, justamente por colocar-se onde a linguagem discursiva não é suficiente e nos limites entre os diferentes discursos das diferentes ciências. A arte (a dramaturgia do corpo, aqui de maneira específica) pode ser a ponte entre diferentes “verdades”.

Assim, o vídeo passa por conceitos tais como DRAMATURGIA DO CORPO, TRANSCRIAÇÃO e INTERTRANSCULTURALIDADE.
Mesmo antes de ser finalizado, O RETRATO DA ATRIZ ENQUANTO CORPO já foi apresentado em duas ocasiões: no VI Simpósio de Arte-Educação, no dia 24 de setembro, na UNICENTRO (Guarapuava, Paraná) e Semana Da Pedagogia na FACOS (Osório, RS) no dia 15 de outubro.
A recepção do público foi além de nossas expectativas. Isto aumentou a nossa vontade de buscar financiamento para finalizar, publicar e distribuir o vídeo.

Para introduzir o trabalho fizemos algumas imagens na rua, numa performance relâmpago, para apresentar o conceito de corpo como processo de trocas com o meio. As fotos aqui postadas, são deste dia.


FICHA TÉCNICA DO VÍDEO-DOCUMENTÁRIO

Produção: Maria & Cia e Catarse

Câmera: Júlia Rodrigues e Gustavo Türck

Roteiro e Edição: Maria Falkembach e Têmis Nicolaidis

Trilha sonora: Leandro Maia.

MOSTRA SESC DIÁLOGOS DA DANÇA - 3ª Edição

Estarei participando desta Mostra com uma OFICINA MONTAGEM
INSCREVAM-SE!!!!
Debates após os Espetáculos e Produção de Críticas

Debates com a presença de Márcia Strazzacappa.

Licenciada em Pedagogia (1986) e Bacharel em Dança (1990) pela Universidade Estadual de Campinas, possui Mestrado em Educação pela UNICAMP (1994) e Doutorado em Artes - Estudos Teatrais e Coreográficos pela Universidade de Paris, França (2000). Foi pesquisadora do LUME (1986/1995) Atualmente é professora doutora colaboradora da Faculdade de Educação da UNICAMP, atuando nas graduações de pedagogia, dança e teatro.

Data: 01 e 02/11


Debate com a presença de Daggi Dorneles.

A partir de 1989, tranferiu-se para Alemanha onde trabalhou como professora, bailarina e assistente de diversas produções, além da composição de trabalhos solo, e residências de estudo na Folkwang Hochschule-Essen, incluindo a concessão da Bolsa Virtuose, do MinC, em 1999/2000. Atualmente dedica-se a ações de arte para a cidade, que resultaram em seu projeto “o passar em branco – poemas urbanos”, contemplado no Brasil com a Bolsa VITAE de Artes 2003/2004.

Data: 08/11



Apresentações Artísticas

Espetáculo “Entrecorpo”
Companhia Municipal de Caxias

Por meio de um diálogo poético entre dança, teatro e música nasce ENTRECORPO, trabalho sutil, sensível, de uma profundidade capaz de acordar outros corpos com questões como: que espaço o meu corpo ocupa em relação ao outro e o nosso em relação ao todo e a tudo? Quantas falas, idéias, discursos, pensamentos, conceitos percorrem entre estes corpos criando diferentes formas de diálogos. O que surge é uma dança totalmente presente, atenta também a todos e a tudo, onde a atenção se impõe e se coloca a mercê de ações que estabelecem a dramaturgia desta criação.

Coreografia de Cláudia Palma criada para a Cia Municipal de Dança de Caxias do Sul.

Dia 01/11 às 20h

Local: Teatro Sesc Centro – Avenida Alberto Bins, 665



Espetáculo Bundaflor, Bundamor

Eduardo Severino Cia de Dança

Recomendação etária: aconselhável para maiores de 18 anos.

A chamada “preferência nacional” dos brasileiros é um dos temas de criação para o novo trabalho coreográfico da Eduardo Severino Companhia de Dança – “Bundaflor, Bundamor” -, que discorre sobre a Bunda, a bunda como produto nacional e cultural. Utilizamos como inspiração para a pesquisa coreográfica de textos do livro do historiador francês Jean Luc Henning, “A breve história da bunda”.

O espetáculo propõe um olhar diferenciado a essa parte do corpo humano, atentando para a sua constituição, o seu desenho e as suas possibilidades motoras. A bunda brasileira, formada graças à herança genética africana, é massa carnal rebolante que mostra a nossa alegria mestiça, em algumas manifestações mais originais.

Em cena, Eduardo Severino, Luciano Tavares, Mônica Dantas, Dani Boff e Luciana Hoppe abordam com humor o imaginário brasileiro, brindando nos movimentos de seus corpos para além da banalização dos elementos que compõem o real e o simbólico desse universo.

Concepção coreográfica: Eduardo Severino / Luciano Tavares

Direção artística: Eduardo Severino / Bia Diamante

Dia 02/11 às 21h

Local: Sala 209, Usina do Gasômetro (Av. João Goulart, 551).



Performance “Posso roubar seu Movimento?”

Direção e concepção: Maria Falkembach

Nossas relações acontecem no espaço, entre a matéria. Uma trama de significados é construída no vazio e no silêncio. O movimento revela o invisível e essas relações. A vida, mais ínfima, sutil e frágil, é Movimento.
Atores e bailarinos improvisam, a partir de movimentos codificados e movimentos roubados do público. Os movimentos codificados são o resultado da reflexão do grupo durante a criação. Reflexão que constrói conhecimento e pensamento no e pelo corpo.
Ao mesmo tempo em que agem-dançam e expressam suas reflexões, compartilham este processo com o público.

Dia 07/11 às 15h na Esquina Democrática (Rua dos Andradas com Av. Borges de Medeiros)


Dia 09/11 às 17h no Parque Farroupilha


Espetáculo PÁTRIA MINHA

Cia Art&Manhas

Pátria Minha surgiu como um impulso diante dessa imensidão de contrastes que é o nosso Brasil. É uma busca significativa entre a Dança Contemporânea e as diversidades das realidades brasileiras. Muito mais do que nomear, definir ou encenar, a pesquisa colhe os pontos de contato entre corpo em movimento e o universo cultural brasileiro, sem a necessidade de fundir uma história na outra, apenas expô-las juntas.

Direção Geral: Doris Ramis

Direção de Palco: Luís Henrique Drevnovicz

Coreógrafos: Doris Ramis, Heloisa Bertoli e Vanessa Picaluga

Dia 08/11 às 20h

Local: Teatro Sesc Centro – Avenda Alberto Bins, 665



Desenvolvimento Artistico e Cultural

Oficina Montagem

Construção e apresentação da Performance “Posso roubar seu Movimento?”.

Direção e concepção: Maria Falkembach
Currículo resumido:
Atriz, bailarina, professora, Mestre em Teatro pela UDESC. Foi professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS e atualmente é professora convidada do curso de Mestrado Profissional em Dança da Universidade Nacional da Costa Rica. Foi fundadora do grupo Depósito de Teatro, com o qual realizou 9 espetáculos entre dança e teatro. Desenvolve as pesquisas sobre dramaturgia do corpo, transcriação e sobre a intertransculturalidade na criação cênica.
Sinopse:
“Posso roubar seu Movimento?” Oficina Montagem, ministrada por Maria Falkembach, na qual os alunos participarão da construção e da realização de uma performance. Uma reflexão na trama do movimento.

Descrição das atividades:
Vagas: 20 pessoas, a partir dos 14 anos.
Performance: 02 apresentações de 1 hora, uma na rua da praia, outra no Parque da Redenção.
Total da carga horária da atividade: 15 horas




MOSTRA SESC DIÁLOGOS DA DANÇA
Ingressos no dia ou 2h antes na Bilheteria
R$ 10,00 Usuário
R$ 8,00 empresário
R$ 5,00 Comerciários e dependentes, classe artística, estudantes e idosos.
Inscrição para Oficina Montagem “Posso roubar seu Movimento?”. (DE 27/10 A 03/11)Ministrante: Maria Falkembach
R$ 20,00 Usuário
R$ 15,00 empresário
R$ 10,00 Comerciários e dependentes, classe artística, estudantes e idosos.
Data: 03 a 06 de Novembro de 2008, das 18:30 às 21:30.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

MADALENAS NO BRASIL

Para maiores informações sobre este encontro, acessar os sites
www.verticebrasil.net
http://www.themagdalenaproject.org

Então, agora somos Madalenas? Um riso frouxo escapou de cada uma depois da pergunta da Natália (Araújo), tímida, mas inquieta, refletindo o inefável que ligava nossos estômagos naquele começo de fim de encontro. Delícia de pergunta, que saiu certeira (percebi porque meu corpo se avivou e então vi, junto com o suspiro sonoro, a mudança de postura no corpo das mulheres da roda). A pergunta da Natália soou como o passo que demos juntas, no primeiro dia de oficina da Jill (Greenhalgh). Uma manhã inteira para darmos um passo juntas. Pensando agora, parece pouco tempo, tem gente que passa a vida e não consegue isso. E conseguimos mais: estar juntas antes do passo. Fui aprendendo a conhecer essas mulheres pelo primeiro passo.

O que é essa vontade de ser Madalena?
Encontrei algumas respostas:

1. É a vontade de conhecer o ser humano na ação e na relação, no passo. Essa é a possibilidade do teatro, talvez a única possibilidade de conhecer o humano. Por isso o teatro é tão importante. Pena que tanta gente ainda não descobriu isso.

2. É a vontade de inventar critérios críticos e linguagens. E a vontade de acabar com essa fofoca de que mulheres não conseguem ser amigas. Quem foi o malandro que inventou isso? E quem inventou o modelo de amizade? Outro malandro? Ou foi uma tal avó que tinha aprendido com... não importa neste momento. De repente, ficou evidente que se tratam de critérios. Anotei quando a Jill falou: “o Projeto Magdalena é um lugar onde meu trabalho pode ter vida e encontrar critérios críticos diferentes (...). Nós mulheres temos gasto muita energia para nos inserir nesse mundo masculinista. (...) A arte tem que ser fiel às experiências políticas, sociais e biológicas para que seja autêntica. E estas experiências são diferentes para mulheres e homens.” Gostei da palavra critério por ser uma regra que a gente mesmo inventa, ou que ela mesma se inventa na necessidade. A própria palavra critério, tão apagadinha, revelou-se a partir de outros critérios. O perigo? Esconder-se atrás de critérios de proteção e fugir da crítica? Esse perigo não existe, pois se a necessidade desses novos critérios é justamente para construir espaços de exposição, do risco. Nesses cinco dias pude compartilhar a experiência de outros critérios de crítica, experiência do risco e da exposição. Como se constrói isso? Acho que dando o primeiro passo, juntas.

3. É a afirmação do pensamento e do conhecimento de atriz. Não anotei, mas não precisei, pois não esqueci do que a Júlia (Varley) falou sobre o conhecimento tácito do teatro, da construção de conhecimento e pensamento pela via da experiência teatral.
Tenho estudado muito e às vezes tenho uma sensação que nós, ao fazer teoria da arte, do teatro, da dança, estamos nos tornando semióticos, neurofisiologistas, antropólogos... nada espantoso para os tempos da interdisciplinaridade. Cheguei a me perguntar (e escrevi em algum papelzinho pra depois desenvolver) se não seria possível construir uma teoria a partir de critérios artísticos. Por isto foi tão revelador quando a Júlia explicou a relação entre a periferia e o centro a partir da noção de equilíbrio de luxo. Estar na periferia é estar fora do centro, portanto em equilíbrio instável e em risco. Foi esse o seu modo de explicar o Projeto Magdalena, que, ao longo dos seus 22 anos foi conformando-se de um modo que encontrou seu “equilíbrio” fora do centro, no teatro desenvolvido por mulheres na periferia. As Madalenas vivem o risco e a disponibilidade para o movimento.
Talvez a necessidade do apego à semiótica, à neurofisiologia, à antropologia, seja porque o mundo não tem idéia da complexidade do conhecimento de uma atriz. A compreensão da vida e do humano que faz parte de nosso ofício é, às vezes, assombrosa. E o mundo perde quando não aproveita isso.
Agora, seguindo o modo de pensamento da Júlia, vou pensar como atriz: Cada nova personagem nos exige novos critérios. Compor uma personagem significa passar por um processo de reconstruir o próprio corpo a partir de outros padrões, de outros pontos de vista, de outros critérios de relação com o mundo. Para construir uma personagem não posso julgar, tenho que encontrar a sua forma dinâmica, o seu corpo em relação (extensão do que a personagem é). Está implícito no trabalho da atriz a possibilidade de escolher e inventar critérios. É inerente ao nosso ofício as múltiplas perspectivas, que nos convocam a cada dia inventar um novo modo de cortar cebola. Também é próprio do conhecimento da atriz conter o mistério, a familiaridade com as epifanias.
Acho que cabe aqui um parêntese sobre a cebola. Tudo começou com a cena “A Cebola”, que a Maysa (Lepique) apresentou naquela tarde forte em que cada uma de nós se descascava mais um pouquinho. Não chorei com a cebola, mas não controlei quando tentei contar que a querida Maria Lúcia Raymundo não estava ali por motivos maiores. É inacreditável (não é esse o adjetivo, mas não encontro outro) que a Lucinha esteja nesse coma a cinco anos. Difícil recomeçar o texto, como foi difícil começar a cena depois de evocá-la. Mas sigo... Mais que a cebola, o que aparecia na cena da Maysa era a faca e as suas pernas (é disso que lembro agora). Mas lá no meu modo de fazer associações e construir conhecimento, pensei que naqueles dias minhas camadas foram ficando mais transparentes. E no sábado, naquela roda no sol, quando chegou minha vez de falar sobre a experiência do encontro, pensei que eu estava entendendo, de fato, esse tal empoderamento, palavra apropriada pelo discurso político. Lembrei que quando eu era casada com o meu diretor teatral, ele discutia comigo quando eu não cortava a cebola da “maneira certa”. Isso não era em cena, era em casa mesmo, quando eu cortava cebola pra fazer comida. Eu nunca consegui aprender qual era a tal “maneira certa”. De qualquer modo que eu cortasse, os pedaços iam ficar iguais. Não entendia. E juro que me esforçava para entender a lógica dele. Eu tentava decorar, mas sempre esquecia qual era a “maneira certa”. E várias vezes me senti burra porque não sabia. Depois de algum tempo separada, fui cortar cebola, e foi indescritível a sensação de liberdade por poder cortar a cebola do modo que eu queria. Hoje, cada dia, invento um jeito diferente. Aprendi, neste ano, a ralar a cebola. É ótimo! Qualquer dia desses meto do liquidificador.
No Vértice, a cada dia eu conseguia perceber um pouquinho mais de cada uma, sem ter que dissecá-las, pois não há diferença entre interno e externo, assim como não há diferença entre as camadas da cebola.

4. É a vontade de ser impura.
Tenho lido muito sobre hibridismo, linguagens híbridas. Parece necessidade de quem é puro. E um dos conceitos relacionados ao híbrido é justamente a impureza, junto com cruzamento de fronteiras, mas também mestiço, bastardo. Linguagem pura pra mim é tão difícil de entender quanto cortar cebola da maneira certa. Pureza cheira fascismo e ignorância. Eu já sou mestiça e bastarda desde um meu bisavô e uma minha tataravó (desses existe conhecimento, talvez eu já tenha sido antes). E através de minhas linhagens cruzei diversas vezes as fronteiras, por vários motivos: desbravadora, fugitiva, escrava. É bom pensar em ser impura, não ter que carregar a imagem da Maria Imaculada. Pensar em Madalenas, no plural. Impuras e capazes de ver e viver no desequilíbrio da vida, construindo um equilíbrio dinâmico.
Deslocar o centro.
Viver a periferia para ser múltipla.
Compor entre, em trânsitos.
Encontrando novas conformações a partir das novas relações entre as periferias: variação de distância entre o calcanhar e a palma da mão, o cotovelo e o joelho... (pensando como atriz). Criando a expressão, na dinâmica da periferia, do centro que se desloca. Um centro fluído, instável.
No Vértice Brasil ser Madalena talvez signifique essa impureza, de raça, de culturas, de poéticas.



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Participação no Projeto Interseções - Curitiba

FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA, COORDENAÇÃO DE LITERATURA/FEIRA DO POETA
CONVIDAM PARA O
PROJETO INTERSEÇÕES
ENCONTRO SOBRE LITERATURA E DANÇA

COM MARIA FALKEMBACH (Porto Alegre)

Data: 21 de agosto (quinta-feira)às 19:30Palacete Wolf - Pç. Garibaldi, 07Informações: 3321-3317


segunda-feira, 30 de junho de 2008

Alunos da Monte Cristo assistem Penélope Bloom


No dia 03 de junho, no Teatro Renascença, alguns alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Vila Monte Cristo, foram assistir o espetáculo Penélope Bloom. Eram todos estudantes das etapas finais da Educação de Jovens e Adultos (EJA), turmas T4, T5 e T6, sob responsabilidade do professor Mateus Gonçalves. Importante falar que o Mateus foi meu colega na faculdade e que atuamos juntos da peça Agora é Festa (escrita por mim em 1997). Mas mais importante é falar na seriedade que o Mateus conduz o trabalho teatral no colégio e no empenho dele em ampliar o espaço para o conhecimento artístico dos alunos.
Duas semanas depois da apresentação, fui à Escola Monte Cristo conversar com os alunos. E encontrei um grupo atento e entusiasmado para saber mais. Haviam elaborado perguntas, em grupo, depois de terem conversado e escrito sobre suas impressões, percepções.
E me fizeram muitas perguntas sobre o fazer teatral, sobre aquele espetáculo que não contava uma historinha com começo, meio e fim.
E então o teatro ainda tem sentido.
Pedi permissão para colocar no blog alguns escritos de alguns dos alunos. E o professor Mateus, responsável e cuidadoso de seus alunos, me pediu pra ter cuidado, pois esses “Jovens e Adultos” ainda não tem escrita fluente e totalmente correta. Peço, então, para que os leitores leiam esses escritos como eu, como lemos Joyce, percebendo a construção do texto que está nas entrelinhas. Percebendo o sujeito que segura a caneta e que faz cada voltinha, percebendo o atrito.
Maria.
Se tu clicares em cima da imagem, ela se amplia.





“Na terça-feira passada tive o privilégio de, juntamente com meus colegas de turma, ir ao teatro Renascença assistir ao espetáculo, Penélope Bloom, peça esta que é parte de um romance, um dos mais importantes do século 20. Cheguei ao teatro ansiosa, para ver como nos seria apresentado o monólogo vivido por duas atrizes. Durante o espetáculo, aos poucos percebi que a peça tratava-se de uma esposa à espera de seu marido que havia partido para a guerra, ela faz um balanço de sua vida, recorda e fala com o corpo, que por sinal é quem mais parece falar (seu corpo). Molly Bloom lembra do dia do seu casamento, e o tempo da cena são as primeiras horas do dia seguinte. Parece querer provar que ainda é uma mulher desejável capaz de seduzir muitos homens, ao contrario do que seu marido pensa, uma vez que se envolve com mulheres bem mais jovens. Confesso que para mim a peça foi de difícil entendimento, embora tenha um razoável conhecimento de espanhol, tive dificuldades de entender, não pelo idioma, como falei, mas pela linguagem do texto mesmo, talvez por ser apenas um capítulo de tantos outros do romance. Sai com vontade de ver mais, adorei o “dueto” embora fosse um monólogo, Maria falava basicamente com o corpo achei encantador, enquanto a fala mais expressiva era feita pela Vicky, se fechássemos os olhos teríamos apenas uma atriz no palco, elas de fato eram uma só personagem, Molly Bloom. Chamou-me atenção o cenário, não é preciso mobiliário farto quando se tem um bom texto, não nos detivemos nesse detalhe, pois as personagens nos detiveram a atenção, uma escada, um piano e uma cama, esta basicamente, foi o suficiente para completar o cenário. Não lembro no momento de nada que já tenha visto, relacionado a peça, talvez algum filme de romance mais antigo, como “E o Vento Levou”. Vou procurar obter mais conhecimentos, sobre este clássico da literatura mundial, que é este romance de Ullises. Embora não tenha entendido muito bem a linguagem do texto, achei muito interessante o espetáculo.”